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domingo, 31 de maio de 2009

INSPIRAÇÃO

Bertolt Brecht... O cara certa vez escreveu: "O que é um assalto a um banco comparado à fundação de um banco?". Pensa aí! rs

Chico Buarque de Holanda. Afaste de mim esse cálice... Calar-se nunca mais!

Clarice Lispector! Macabéia estava grávida... Grávida de um futuro... Quem não está? Cuida do bebê, tá?
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.(A Hora da Estrela)"

A maior

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever"


Carlos Drummond de Andrade! O homem que disse que no meio do caminho tinha uma pedra... O que você faz com as que você acha? Estou tentando juntá-las pra construir um castelo! Quer me ajudar?

Perguntaram ao Dalai Lama:

O que mais te surprende na humanidade?
E ele disse:
"Os homens, porque perdem a saúde para ganhar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde, e vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido..."

Carlos Drummond de Andrade

"A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca."

Vinícius de Moraes

"A gente não faz amigos, reconhece-os."

"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos..."

Madre Teresa de Cálcuta

"O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso."

"O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor."

"É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado."

LIPSTICKS AND EYES


A mulher estava la. Ele também.
A cinco palmos de balcão surrado e o cheiro do cinzeiro molhado pairava no ar. O lugar talvez não fosse digno da conduta e semblante daquela mulher que ali estava, inclusive parecia desambientada.
Ela pediu o café, olhando a toda volta, inclusive o relógio, com olhar de insatisfação.
Os olhos dele registravam com insegurança mas com tamanho desejo de lhes acompanhar.
Timido, disfarçava a qualquer sinal de desconfiança suas ações.
Ele analisou a xicara, parecia procurar vestigios, girando em volta do pires, sacudiu o saquinho nas mãos e despejou naturalmente sobre o café quente, a fumaça o denunciara.
Ele ficou com receio de pedir o de sempre e dispensou sua pedida de todos os dias, assim que o garçom lhe perguntou de um grito - o de sempre patrão ?- ele levantou e acenou a mão em negativa em cumplicidade com aquele que o indagara, entendido o recado, lhe trouxe um café e não antes da dama também acendeu o cigarro. Gostaria de ter o feito antes, pois assim poderia lhe oferecer fogo, isto é, para acender o seu cigarro ao menos.
Ela se ajeitou frente ao balcão, trouxe o cinzeiro para perto, cruzou as pernas revelando uma bonita sulhueta, com ar sedutor deu um longo gole no café, mas tão intenso, que ele sentiu tão igualmente o nó na garganta se dissolver e assim como o café um frio seguido de um grande calor descer pela sua espinha.
Ele franziu o cenho, não saberia desvendar se fora uma provocação e isso lhe deixou nervoso.
Ela então parou os olhos e pareceu perder-se nos próprios pensamentos e sem querer ele não se vira, mas está completamente emergido na observação, tornando-se objeto da ação, mas ela se quer poderia imaginar,tão longe agora do mundo, poucas das vezes que voltou, perdia-se novamente naquele mundo peculiar e intimamente atordoador, a julgar pela forma como respirava lentamente e mordia os lábios parecendo remoer algo. Mais uma vez o cefé sem gosto e agora frio, talvez.
Para quebrar o tédio, alguma coisa pareceu desaflorar dentro de sua cabeça, alguma imagem ganhou foco, alguma dor desatinou e ela se pôs a chorar, não com o corpo, mas passível e enviasado dentro do seu corpo discreto, dentro da sua postura de madame, surgira uma lágrima, suficientemente incorpada fazendo rolar no canto do olho esquerdo, penosa e longa.
Até então ele não entedera como se conectara à imagem da mulher ou como tornara-se objeto de observação, para não falarmos de desejo. Era fato que estava envolvido a ponto de sofrer pelo seu pesar e imaginar o que de fato lhe ocorrera. Foi então que aconteceu. A lágrima morna que rolava ao canto dos olhos, despertou a donzela do seu encantamento que há poucos minutos lhe fixaram num mundo paralelo e ela descobriu sem querer o olhar manso e indagador do coadjuvante da cena. Seus olhos se encontraram tempo suficiente para trazer contrangimento e ele despejou em si mesmo a xicara de café durante o desconserto fazendo corar as bochechas.
Ela levantou-se de um salto e com um unico gesto pegou seus pertences, tirou uma nota e colocou-a sobre o balcão, tudo em gestos rigidos e sérios. Em seguida, caminhou em direção a ele ainda tentando livrar-se de toda a bebida que derramara em suas vestes e de todo o seu constrangimento. Ainda com os olhos baixos a viu parar a poucos centimetros e seu perfume sobrepôs-se ao cheiro forte de café barato.Ele podia ver há poucos centimetros a meia fina que desenhava pernas torneadas e delicadas e enquanto subia os olhos encontrou sua mão fina e delicada sob a cintura numa linda silhueta. A mão livre lhe entregara um lenço tão perfumada quanto a dona.
Isso pareceu atordoa-lhe a mente de tal forma que antes mesmo que pudesse recebê-lo, pensar e engolir seco, a ação inesperada da moça, a mesma já cruzara a saida, deixando no chão o lenço marcada pela pintura seu rosto e da lágrima que caia de seus olhos furtivos.

POR IGNORANCIA , DESAPEGO E NEGO

Eu disse que nunca ia me apaixonar
Ah, disse
E as mãos suadas, olhar parado
O nó na garganta, a conversa fiada
E o sorriso que se refletido no meu rosto

Coisa desmedida é se apaixonar
A mente vazia, a cara amarrada
A vontade de estar junto
e o pensamento não pára

Eu nunca disse que queria me apaixonar
A pessoa errada, hora errada
O gosto errado das coisas
Musica errada que toca e tudo perde o gosto.

Eu disse que era errado se apaixonar
é estranho, gelado , pesado
é triste
De todas as formas abstratas e concretas

A dor que não cessa, a presença que não vem.
O ar que não basta, que falta.

Que foi que eu fiz pra me apaixonar.
Maldição pra vida e além da vida.
Eu seguro, eu repasso
Me machuco, desfaço, desdenho e sofro.
E o sorriso falso na cara.

Por que eu me deixei apaixonar?
O sorriso do rosto, a cara amarrada
o olhar vazio, o pensamento não pára
E o sentimento que cresce.

Ah, eu disse

E sou mais um agora que pena, que sofre
que gosta e odeia, que quer morrer e viver
com o intocável e subliminar sentimento dos tolos.

Cego e tolo. Sem precedentes.Nada é igual.Sonho que não vem.